terça-feira, 14 de setembro de 2010


Sobre invenções

Altares de insignificâncias, reverência para banalidades. Cotidiano reinventado,relações, reordenações. Insuborninações ao relato racional, transitoriedades e transversalidades. Sandro Ka recoloca o trivial na condição de essencial. Prosaicas peças passíveis de novas percepções. Quando o artista compõe estas coleções, supreende, exigindo um novo olhar. Não é mais prosaico, nem menos visível este ordinário imagético. Há tempos, a arte clama por narrativas inventivas, sem barroquismos, mas sabendo também dele, reiventando seu discurso. Penso na memória que cada peça evoca individualmente e, no contexto, solapa a lembrança, tramando nova rede de significados. Brincar de juntar coisiquinhas vira uma grande ousadia, numa estratégia contemporânea de amarrar simultaneidades e múltiplas interpretações . Sobre tudo, sobre as coisas e sobre o tempo.

Carlinhos Santos
setembro 2010

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