
Sandro Ka é um jovem artista que vem a público apresentando sua exposição individual – Relações Ordinárias. É um artista que trabalha a partir do conceito de apropriação, se filiando a um tipo de produção que tem como nomes mais conhecidos e recentes León Ferrari e Nelson Leirner. Como eles, Sandro utiliza objetos bastante conhecidos, como brinquedos e imagens populares de gesso, muitas vezes religiosas, formando conjuntos. Acredito, porém, que as semelhanças param por aí.
León Ferrari trabalha com estes elementos, principalmente as imagens religiosas, com um caráter extremamente crítico à igreja católica. Seu alvo é bem específico. Nelson Leirner, diferentemente, tem como características mais marcantes o humor e a enorme acumulação de elementos.
Sandro opera em uma esfera um pouco diferenciada. Trabalha com poucos elementos de cada vez e cria um espaço cenográfico para eles. Estes espaços lembram pequenos palcos ou tablados onde acontecem encontros inusitados e instigantes. As relações propostas entre os objetos são aparentemente simples: São Francisco e os animais, São Jorge e o dragão, Vênus, a deusa da mitologia, tomando banho. Não devemos, entretanto, esquecer que estes são temas clássicos na tradição pictórica ocidental. O inusitado e cativante nestas obras é ver estas situações representadas a partir de elementos com origens e materiais tão díspares: a tradicional imagem de São Francisco em gesso, cercado por bichinhos de plástico; Vênus em uma banheirinha de boneca, Nefertite, a princesa egípcia, também uma reprodução popular em gesso da famosa escultura, junto a bonecas para as meninas brincarem de maquiagem, e assim por diante.
Não há nenhuma crítica, nem à igreja, nem à produção em massa de objetos, tão marcantes em nossa sociedade atual. O que se evidencia é um olhar curioso e carinhoso com todos os elementos da cultura de massa, sem distinções de origens, sem preconceitos. Mas também propõe uma discussão sobre a nossa maneira de “ler” imagens e objetos, sobre os deslocamentos de sentido das coisas quando estas não se encontram nos lugares esperados, e principalmente sobre as possibilidades de criação de novos sentidos para objetos tão banais. Ou seja: são trabalhos falsamente simples, onde basta um olhar mais atento para começarem a surgir questões. Mas o melhor mesmo é ver as obras do Sandro com o espírito aberto, tentando deixar o nosso lado criança se divertir e, ao mesmo tempo, nosso lado adulto refletir.
León Ferrari trabalha com estes elementos, principalmente as imagens religiosas, com um caráter extremamente crítico à igreja católica. Seu alvo é bem específico. Nelson Leirner, diferentemente, tem como características mais marcantes o humor e a enorme acumulação de elementos.
Sandro opera em uma esfera um pouco diferenciada. Trabalha com poucos elementos de cada vez e cria um espaço cenográfico para eles. Estes espaços lembram pequenos palcos ou tablados onde acontecem encontros inusitados e instigantes. As relações propostas entre os objetos são aparentemente simples: São Francisco e os animais, São Jorge e o dragão, Vênus, a deusa da mitologia, tomando banho. Não devemos, entretanto, esquecer que estes são temas clássicos na tradição pictórica ocidental. O inusitado e cativante nestas obras é ver estas situações representadas a partir de elementos com origens e materiais tão díspares: a tradicional imagem de São Francisco em gesso, cercado por bichinhos de plástico; Vênus em uma banheirinha de boneca, Nefertite, a princesa egípcia, também uma reprodução popular em gesso da famosa escultura, junto a bonecas para as meninas brincarem de maquiagem, e assim por diante.
Não há nenhuma crítica, nem à igreja, nem à produção em massa de objetos, tão marcantes em nossa sociedade atual. O que se evidencia é um olhar curioso e carinhoso com todos os elementos da cultura de massa, sem distinções de origens, sem preconceitos. Mas também propõe uma discussão sobre a nossa maneira de “ler” imagens e objetos, sobre os deslocamentos de sentido das coisas quando estas não se encontram nos lugares esperados, e principalmente sobre as possibilidades de criação de novos sentidos para objetos tão banais. Ou seja: são trabalhos falsamente simples, onde basta um olhar mais atento para começarem a surgir questões.
Alfredo Nicolaiewsky
maio de 2008
maio de 2008
1 comentários:
Sandro, saudações!
Parabéns por este teu "olhar ordinário"! Quero ver tudo ao vivinho!!!
Abraços,
Walter Karwatzki.
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